Imaginários VI - A Disney

A Disney é, de facto, uma boa e infinita biblioteca de imaginários para as actividades.
Infinita, porque, para além das histórias propriamente ditas - elas próprias criadas, aperfeiçoadas, adaptadas, reimaginadas... a partir de outras também elas já imaginadas e inventadas por alguém - podemos nós também, acrescentar, alterar, ou evidenciar partes a qualquer uma delas.
Pensar no que sucedeu depois de um desses contos ou imaginar o que teria acontecido antes, são formas simples de darmos largas à imaginação, adaptando aos nossos temas e objectivos qualquer uma dessas obras.
Basearmo-nos num livro ou num filme também pode conduzir a resultados diferentes.
Podemos misturar as histórias ou interligá-las. Ou ainda, aproveitar um pouco de cada uma delas, ou os locais, ou as personagens e fazer com elas um videoclip...

Auto-estima

O ponto de partida da alegria é a auto-estima. Quando a pessoa se sente apreciada e profundamente amada, isso dá-lhe auto-estima.
Essa é uma fonte de que brota a alegria. E não me sinto amado porque sou perfeitinho, sinto-me amado porque alguém me fez experimentar que diante dele, sem condições, eu valho, mesmo que tenha um olho torto, um mau currículo ou uma doença terrível!


Vasco P. Magalhães, sj




Pode ser verídico ou não passar de uma simples história, mas acho que vale a pena ler e meditar. Afinal o Escutismo não é isto mesmo? Ir ao encontro da natureza, certamente, mas também das muitas tradições que dela derivam; experimentar tudo isso e tirar algo de valor para as nossas vidas. Escutismo é também reinventar o dia a dia.

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa que deveria trazer os seus próprios sacos para as compras, uma vez que os sacos de plástico não eram amigos do meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo.”
O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso meio ambiente. "
"Você está certo", responde a velha senhora, a nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.
Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidas à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupámos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até ao comércio, em vez de utilizarmos o nosso carro de 300 cavalos de potência cada vez que precisamos de ir a dois quarteirões de distância.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebés eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam as nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido dos seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou "pellets" de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
Naqueles tempos, não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva, que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisavávamos de ir a um ginásio e usar passadeiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora enchem os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes, em vez de comprar uma outra. Abandonámos as navalhas, ao invés de deitar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes, só porque a lâmina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas apanhavam o autocarro e os meninos iam nas suas bicicletas ou a pé para a escola, em vez de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizaria mais próxima.
Então, não dá vontade de rir que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não queira abrir mão de nada e não pense em viver um pouco como na minha época?



É católica, logo, é estúpida, não é?


No Paquistão, numa plantação de bagas, uma camponesa católica - Asia Bibi - ousou beber água de uma vasilha comum.

Que blasfémia, meu Alá. Como se sabe, as beatas católicas têm vírus letais, que podem contaminar as outras pessoas (muçulmanas boazinhas, neste caso).

As colegas de trabalho de Asia Bibi reagiram de forma justa, apelidando-a de "Haram", isto é, "és uma porca, ó católica".

Perante esta ofensa terminal, a sede metediça de Bibi só podia ter uma consequência: a condenação à morte pelo chefe da aldeia.

É bem feito, sim senhora. Quem a mandou beber água do balde comum, ah?

Quem? A senhora dona Asia Bibi não sabia que os muçulmanos bonzinhos não podem ter contacto com os católicos impuros? É bem feito, pá.

Estamos a falar de alguém que acredita em Jesus, esse charlatão que se julga acima de Maomé. Ou seja, além de impura, Asia Bibi é estúpida.

Agora tem aí a paga. E já vem tarde.

Ainda por cima, esta herege não baixou os olhos quando foi repreendida.

No Paquistão, "ser cristão é saber baixar um pouco os olhos" . É normal, pois então: os cristãos são uns míseros 6 milhões num universo de 170 milhões de muçulmanos puros e imaculados.


Não respeitando este contexto, a catolicazinha não baixou os olhos e, vejam bem, ainda protestou. Estava mesmo a pedi-las. E, reparem, o chefe da aldeia ainda lhe deu uma chance: "se não queres morrer, deves converter-se ao Islão". Que simpatia de homem, que gentileza, que tolerância milenar (estou que nem posso).

E sabem qual foi a reação da galdéria católica? Recusou esta oferta de boa vontade. Portanto, Asia Bini tem mesmo de morrer, porque o profeta precisa de ser vingado.

Agora, esta frescalhona está presa nas masmorras de Sheikhupura, numa cela com três metros quadrados e sem luz do sol. E parece que o líder religioso lá do sítio já ofereceu 500 mil rupias pela sua morte.

Confesso que estou que nem posso.
Estas beatas têm de aprender a não sair da sua toca, não é verdade?


Henrique Raposo (www.expresso.pt) 

O Escuta é amigo de todos...


Palavras amáveis multiplicam os amigos, a linguagem afável atrai muitas respostas agradáveis.

Procura estar de bem com muitos, mas escolhe para conselheiro um entre mil.

Se queres ter um amigo, põe-no primeiro à prova, não confies nele muito depressa. Com efeito, há amigos de ocasião, que não são fiéis no dia da tribulação.

Há amigo que se torna inimigo, que desvendará as tuas fraquezas, para tua vergonha.

Há amigo que só o é para a mesa, e que deixará de o ser no dia da desgraça; na tua prosperidade mostra-se igual a ti, dirigindo-se com à vontade aos teus servos; mas, se te colhe o infortúnio, volta-se contra ti, e oculta-se da tua presença.

Afasta-te daqueles que são teus inimigos, e está alerta com os teus amigos.

Um amigo fiel é uma poderosa protecção; quem o encontrou, descobriu um tesouro.

Nada se pode comparar a um amigo fiel, e nada se iguala ao seu valor.

Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor acharão tal amigo.

O que teme o Senhor terá também boas amizades, porque o seu amigo será semelhante a ele.

Livro do Eclesiástico 6,5-17
imagem: nó da amizade - http://www.vibeflog.com/cayru/

'Olhos na Nuca'

Na Palestra de bivaque Nº 11 cabia muito bem esta história cujo o resumo se pode encontrar no site do Sol.

Uma distribuidora de pizzas de Memphis, nos Estados Unidos, salvou a vida de uma cliente de 82 anos ao estranhar a falta de encomendas habituais, escreve a BBC.
A idosa Jean Wilson encomendava pizzas, sempre no mesmo dia, numa pizzaria em que a distribuidora Susan Guy trabalha há três anos, conta a BBC.
Perante a ausência de pedidos da cliente, Susan insistiu com a polícia que verificasse a casa da idosa, depois de ter ido bater à porta e não ter obtido resposta.
Os agentes acabaram por arrombar a porta da casa e encontraram a senhora caída no chão.Jean Wilson tinha caído dias antes e não tinha conseguido levantar-se para chegar ao telefone. Segundo os médicos do hospital em que foi atendida, a senhora está livre de perigo e estável.

Estar Alerta é isto mesmo

P.S.: Já agora como exercício, pode-se sempre tentar perceber a razão do título deste post... :)

Ligar à Realidade [AEV]

Começa esta semana o Ano Europeu do Voluntariado. É uma iniciativa que, como acontece a maioria das vezes, serve para descansar a consciência de uma Europa à procura de valores que premeditadamente deixou cair, como a sua herança cultural e religiosa.

É, no entanto, uma ocasião para iniciar um caminho que devia fazer parte da educação de todos. Dedicar livremente uma parte do nosso tempo a prestar um serviço, seja ele qual for, à comunidade é uma experiência fundamental
para qualquer homem ou mulher.
O desafio que este ano propõe é para todos e devia ser mais do que um discurso para a classe política.
O problema da maior parte dos nossos políticos que enchem a boca com o discurso do "estado social" é que não sabem o que é prestar um serviço gratuitamente a quem está ao seu lado. Esta é talvez a maior diferença entre os políticos de agora, com grande dificuldade em aderir à realidade, e a primeira geração de políticos do pós 25 de Abril, como Ernâni Lopes, Sá Carneiro, Amaro da Costa ou António Guterres, com uma enorme sensibilidade social.
O voluntariado que fizeram, tal como o que fez Obama, dá aos homens políticos um outro olhar sobre a realidade, permite-lhes falar de coisas que as pessoas reconhecem e tomar medidas mais adequadas. Não é por acaso que nas sociedades mais evoluídas o voluntariado é uma parte integrante do curriculum.
Seria uma aposta ganha se, este ano, em vez de discursos, a nossa classe política decidisse arregaçar as mangas e dedicar algum do seu tempo, gratuitamente, a ajudar quem mais precisa. Quem sabe não encontrariam mais facilmente resposta para a crise.

Raquel Abecasis
RR on-line 31-01-2011

Ano Europeu do Voluntariado


Este ano de 2011 lança-nos um desafio que, mais do que uma simples reflexão colectiva sobre o tema, significa um compromisso pessoal (ou não) a esta ideia - sempre tão actual e necessária, diria mesmo (neste momento da história humana) essencial à estabilidade e integridade social - que é voluntariado.
Falar de gratuídade nos dias de hoje pode ser visto como uma abordagem anedótica do "tudo tem um preço" e há que espremer a carteira de todo o usufruário e contribuinte em tudo o que se puder e imaginar. Mas também, por outro lado, como uma benção, se partir de uma vontade solidária de, pelo menos, entender que todos contribuem de uma forma particular para uma mesma sociedade na qual também estamos e há que proporcionar-lhes essa oportunidade - muitos querem e precisam dessa oportunidade.
Desta forma, o voluntariado é uma partilha de oportunidades... Como uma conversão da oportunidade que tenho em DAR algo que eu tenho (acima de tudo o meu tempo, mas muitas vezes é muito mais do que isso) para fazer despertar nos outros oportunidades de crescimento, ajuda, bem-estar,... enfim, de esperança. O desafio pessoal em tornar-se voluntário numa qualquer causa, não está tanto em disponibilizar o seu tempo para o fazer; isso é apenas uma desculpa pois as pessoas arranjam tempo para futilidades de qualquer ordem. A dificuldade está, principalmente, em querer admitir que se leva um pouco (ou imenso) de si aos outros e que se faz sem, aparentemente, receber nada em troca. Voluntariar-se, acaba quase por ser um acto de coragem porque é uma luta contra o comodismo pessoal, por um lado, mas também contra um rol de forças externas (família, amigos, profissão,...) que não vêem muitas vezes com bons olhos essa nossa opção.
Quem já fez esta experiência, certamente que descobriu que este dar-se se transforma também num receber... Nem sempre esta descoberta é imediata, mas até porque quando o voluntariado é genuíno e sincero, não está preocupado em receber. Mas há um retorno de sorrisos, de alegria, de agradecimento... para mim, não há nada que possa compensar mais uma doação voluntária do que sentir da outra parte um coração agradecido. Às vezes demora... anos mesmo... mas um dia chegará essa recompensa.

'Boa acção da Teresa' (1)

Não deixa de ser um filme... e com fins promocionais de uma marca... mas não nos poderá fazer pensar se não há mesmo nada que possamos fazer?...

Teresa de Calcutá dizia: "É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado."

Às vezes, nem é preciso muito... basta um abraço...

Responsabilidades

Imaginem que, numa empresa, num dia, faltava o técnico de informática; aquele, que costuma está ser disponível para ver porque um programa deixou de funcionar, porque é que a impressora não imprime, porque não há mails ou porque não se consegue abrir aquele ficheiro... Imaginem que num dia, a pessoa que tem a chave da repartição das finanças não vem e todas aquelas pessoas que têm assuntos urgentes para tratar, ou que tiraram um dia de férias para resolver um problema não têm essa oportunidade... Numa patrulha vive-se e partilha-se, desde já, este sentido de responsabilidade...ao nível do rapaz e rapariga que são, mas com a relação de dependência que acontece na vida real quando forem mais tarde adultos, pois é para isso que são preparados. Os seus cargos, guia, secretário, tesoureiro, guarda-material, cozinheiro, socorrista... perspectivam desde já a dependência e a responsabilidade que um dia os esperarão nas suas vidas.

PPV - uma visão...

Está a chegar...

Pensamento...

O eco faz sono


um Guia da IIª Secção

Totem Pessoal

Andava a fazer uma pesquisa na net sobre o totem pessoal e apareceu-me este documento bastante completo elaborado pelo Lobo da Penha e que partilho convosco:


Taizé, uma experiência

A seguir transcrevo um relato da experiência do Pedro em Taizé.

“Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas, mas uma só é necessária” (Lc 10, 38-42), lembra-lhe Jesus após esta ter repreendido a sua irmã Maria, “a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a Sua palavra”. Aqui em Taizé, de onde escrevo, só há os tempos das orações, das refeições e do recolhimento. A vida de todos os dias ficou lá fora. É a generosidade espontânea das pessoas e a simplicidade dos hábitos que cria uma atmosfera propícia ao encontro de Deus. É assim nos longos recolhimentos, onde na calma buscamos um sentido para a vida, que tantas vezes esquecemos na correria quotidiana; mas também nos grupos multinacionais e nas pessoas com quem falamos e que vimos a descobrir, sempre com grande surpresa, que tem histórias parecidas a contar. Certezas ancoradas na fé, mas também dúvidas e hesitações. Em Taizé, a simplicidade de tudo é tão absurda que nos questionamos porque estamos sempre tão indisponíveis para as coisas que verdadeiramente interessam.
E aqui vejo católicos e protestantes, nórdicos e mediterrânicos, calmos e expansivos. Jovens, essencialmente, e alguns outros mais velhos. Acredito que no meio desta diversidade há algo que nos une. Mais que a crença em Deus – uma busca particular de Deus, e a audácia de acreditar que o Reino dos Céus pode começar aqui, e já hoje. E no imediato começa pelo facto de quase tudo ser feito por voluntários. Qual a instrução que um dos irmãos deu aos contact person, responsáveis por dinamizar os grupos? “Just smile”.
O resto? Disseram-me em tempos que a chuva sabe sempre melhor nos acampamentos, e aqui isso volta a ser verdade e vale para tudo o mais. Frio, comida racionada, etc. etc. Remedeia-se e nem se dá por isso. As recompensas no regresso são bem maiores. E no fim apetece demorar, ficamos com essa imagem de marca lusitana, a saudade, e prometemos a nós mesmos voltar um dia.
No meu caso, tudo isto foi especialmente intenso por vir pela primeira vez, em Semana Santa e afortunadamente com o fabuloso grupo da Pastoral Universitária de Braga, que tive aqui a oportunidade de conhecer.
Por fim, resta fazer eco das palavras do padre Eduardo, quando disse que Taizé não é um destino, mas uma forma de vida. A perda de posição dominante da Igreja é hoje um adquirido, mas não é de forma alguma o fim da história. Taizé lembra-nos que a religião não é algo do passado, de velhos para velhos, mas uma estupenda oportunidade de criar aquilo que Bento XVI chama de minorias criativas, comunidades locais e regionais depositárias da verdadeira esperança e activas no serviço comunitário. São o povo de Deus no século XXI.

Pedro Costa
Estudante de Economia da Universidade do Minho
Abril de 2010

6º Artigo...

Momento "Cineclube"

Durante uma viagem de avião, fui "presenteado" com um filme cujo título me era completamente desconhecido: "The Ultimate Gift". Apesar de não ter som, e não estar muito interessado em ir até lá fora esticar as pernas (:P) decidi-me por ver no que ia dar.
Segundo os críticos, aparentemente foi um falhanço cinematográfico... mas em DVD foi um sucesso... vá-se lá perceber, ou até se percebe. Para os críticos de cinema impera a arte (e como não percebo muito disso, abstenho-me de comentar o filme nessa perspectiva). Para o comum dos mortais que compra DVDs importa mais o conteúdo do filme ou a mensagem que pretende transmitir.

Este filme é baseado no livro homónimo de Jim Stovall.

Fiquei impressionado com a mensagem que o filme transporta... quem diria, num filme de avião...
Como os elementos da minha secção andam as voltas com a escolha do tema e do imaginário para os próximos meses, e talvez mais sensibilizado para isso, deparei com a excepcionalidade que este filme teria para ser usado como Empreendimento.

Em curtas palavras, o protagonista terá de passar por 12 provações que se transformarão em dádivas, para obter uma suposta herança do seu falecido avô. A saber:

  • A Dádiva do trabalho
  • A Dádiva dos problemas
  • A Dádiva dos amigos
  • A Dádiva da doação
  • A Dádiva da gratidão
  • A Dádiva da família
  • A Dádiva do conhecimento
  • A Dádiva do dinheiro
  • A Dádiva do riso
  • A Dádiva de um dia
  • A Dádiva dos sonhos
  • A Dádiva do amor, que leva para a Dádiva Definitiva
Todo o enredo e desenvolvimento dariam pano para mangas para um grupo de escuteiros devidamente inspirados e criativos. Uma mensagem importantíssima é transmitida pelo filme, que aconselho vivamente a ser visto, independentemente da qualidade cénica, ou de realização.

Uma prova de que todos os dias somos abençoados por todos os lados e nem damos conta do valor que os momentos, as pessoas, cada segundo pode ter nas nossas vidas.

Fica o desafio e, para adoçar o apetite, o trailer pode ser visto em baixo.

Acabou por ser uma dádiva aquele voo... foi pena não estarem lá os pioneiros... (provavelmente se estivessem, não iriam perceber a mensagem....)

A vida é mesmo assim! Cabe ao escutismo saber moldar os jovens para estarem atentos a todos os pormenores que os rodeiam e a todos os momentos que vivem em grupo, equipa, ou mesmo sozinhos...



Proposta para símbolos

Há algum tempo atrás, surgiu um desafio de que se pudessem lançar propostas para compôr uma simbologia para o exploradores, visto que na mística e simbologia que agora finda, não havia essa explicitação como existia para as outras secções. A equipa de animação da IIa., em que estava inserido, em conjunto com os guias, lançámos algumas ideias. Entretanto, esse desafio acabou por não ter continuidade, mas de qualquer forma partilho aqui essas propostas, que poderão, creio eu, enriquecer pontualmente a simbologia recém criada (a saber, Flor-de-Lis, Vara, Chapéu, Cantil e Estrela)

Ponte
A ponte é o meio que nos permite transpor barreiras naturais como rios e vales profundos. Existem vários tipos de pontes: pontes de pedra que ligam duas margens, precipícios… e que perduram ao longo dos anos, pela sua solidez um pouco à semelhança da aprendizagem que fazemos nos exploradores e que fica connosco pela vida fora, ou as amizades e o espírito fraterno que cultivamos; existem as pontes de ferro com as suas múltiplas ligações que nos alertam para o papel que todos têm no movimento, que, se retirarmos um elemento se perde o equilíbrio, tal como acontece nas patrulhas; temos ainda as pontes de madeira, mais frágeis, que se podem lançar num sítio hoje, nesta aventura e se podem lançar amanhã noutra.

Lupa
A lupa permite ver as coisas pequenas maiores. Passamos a ter a capacidade de darmos maior valor ao que, apesar de ser pequeno, tem muita importância. Dá-nos a capacidade de explorarmos mais facilmente o que não é visível a olho nu. Torna-nos a realidade maior, aumentada, grandiosa, mas sem que deixe de ser realidade.

Folha Verde
A folha verde é sinal de vida, vida nova, vida que renasce. As folhas verdes no início da primavera, da primavera da vida são o sinal visível de que a vida já rebentou, já floresceu, que em breve haverá condições para que a árvore dê flor e mais tarde, fruto. Os exploradores são essas folhas verdes que nascem no seio da família, da sociedade, do C.N.E. Já não são rebentos frágeis e ainda não estão revestidos de toda a beleza da flor. São folhas que revestem a forma das árvores, escondendo os seus ramos para darem lugar à verdura fresca da alegria, do movimento. Os exploradores são também frágeis quando se deixam abater pela tristeza, tal como as folhas se deixam cair com a chegada do Inverno.

Aperto de Mão
Para além de toda a simbologia que o aperto escutista contém derivada da vivência de Baden Powell podemos ainda associar que: - A unidade eleva a força com que as aventuras são vividas e atenua as dificuldades pois estas são partilhadas por mais gente - Significa continuidade nos objectivos, nas experiências e nos sentimentos - O contacto com outras culturas, tradições, e tudo o que puder ser posto em comum, tal como nos reporta a mística dos navegadores.

Domingo de Ramos...

... a caminhar a passos largos para a Paixão...

Tempo de reconversão... de meditação...

Tempo para VOAR!

Ousar mais - um ensaio [parte 1]


Não há dúvida que prolifera por todo o lado a dinamização de actividades de ar livre. Os trilhos pedestres permitiram o reencontro das pessoas com a montanha ou com a floresta; o rafting, a canoagem, a convivência com os rios e ribeiros. Os parques de campismo são cada vez mais invadidos por tendas, não dos tradicionais campistas, não dos festivaleiros, mas de outros que vêem uma forma (para além de económica) de conhecer outros locais. Muitos, que aderiram romantismo bucólico do campo já nem se contentam com os parques da cidade e procuram o ar puro de outras formas. Nunca, aqueles caminhos, que outrora eram percorridos pelos habitantes dessas terras, baptizados por eles em função das suas vivências, místicas ou tradições locais, foram tão concorridos por outros que fazem dessa descoberta uma espécie de turismo desportivo rural...
Mas será que elas põem em risco o que habitualmente fazemos nas nossas actividades? Poderão as actividades que costumávamos considerar como 'nossas', estarem a ser utilizadas por outros? Será uma espécie de concorrência?...

De certa forma, elas são o que mais se aproxima ao que muitos consideravam serem coisas de escuteiros... Algumas até as considerávamos 'Actividades típicas'... E vendo assim as coisas talvez fosse razão para estarmos preocupados e descortinar em muitas delas o porquê de vermos cair os números de pioneiros e caminheiros que frequentam os nossos grupos.
Mas não teremos muito mais para dar?...

Não acontecerá que alguns dos escuteiros não estejam a encontrar entre nós as respostas todas que procuram?...

«Baden Powell, não se cansa de repetir em "Escutismo para rapazes" que não dá receitas. E com as actividades dos caminheiros dá-se a mesma coisa. (...)
É bom tudo o que solicita os rapazes e lhes exige esforço: (...) O atletismo, os cross-country também são excelentes desportos, muito indicados para dar estilo e confiança em si próprio.
Mas parece-me que os caminheiros, para não perderem o espírito do Caminho, deviam procurar satisfazer o que os atrai e encontrar ao mesmo tempo, "aquilo que é preciso para mudar o mundo" para dar a algumas das suas actividades uma finalidade que as engrandeça.
O problema que se põe actualmente é o facto de terem caído no domínio público a maior parte das actividades que eram inovação nos caminheiros. Grupos de especialistas atraem os apaixonados da montanha, do esqui e até do campismo.
Uma vez que pode praticar estas actividades fora do Escutismo, é preciso que o caminheiro sinta que no Caminho pode praticá-los num ambiente de amizade quente e de exigência. Exigência na perfeição das técnicas e, ainda mais, exigências espirituais, sentido profundo e sempre revelador da dignidade do homem e do cristão.» [1]

[1] Forestier, M. D. - Pela Educação à Liberdade, Um Caminho - O Escutismo
Foto: castorpioneiro 2010