RAP II.

Porquê isto tudo afinal? Porquê tanto alarido por um chorrilho de conceitos teóricos de psicologia educativa e pedagogia infanto-juvenil que nos querem impingir quando, afinal, são eles mesmo que dizem, é a mesma coisa?...
Primeiro: Não é a mesma coisa... São os meus princípios mas, explicados e apresentados de outra forma.
Segundo: Tudo isto vai implicar que muitas das ferramentas que se usavam até agora - como o actual sistema de progresso -, tenham os dias contados por não irem ao encontro das nossas e das expectativas dos lobitos, exploradores e pioneiros.
Terceiro: o acompanhamento que é feito a cada elementos tem de ser tanto maior quanto a exigência do meio em que ele está inserido. (o que já vinha a acontecer mas com a dificuldade de se esbarrar numa metodologia demasiado rígida).
Como consequência de tudo isto, torna-se inevitável que os dirigentes e demais pessoas ligadas ao movimento, enquanto educadores, tomem conhecimento com esta REALIDADE - que o é, JÁ -, do RAP e acompanhem de perto este processo. Se é certo que ainda é um projecto em desenvolvimento, também é certo o interesse que existe em que TODOS, (eu disse TODOS - está escrito para que não fique dúvidas de que são MESMO TODOS) tomem a iniciativa de colaborar neste projecto, com a sua opinião, experiência, crítica (porque não? . desde que seja construtiva)... pois é também quase certo que mais tarde ou mais cedo teremos de nos inteirar de todo esta avalanche renovada de conceitos e métodos e práticas que serão essenciais para fazer escutismo nos tempos actuais.
Para além de tudo isto, se, hoje, a formação dos dirigentes é de grande importância, ainda o será mais daqui para frente (tal como veio demonstrar o RAP) dada a exigência, cada vez maior, dos ambientes em que as crianças, adolescentes e jovens estão inseridos actualmente tal como virá, enraizar definitivamente a necessidade de uma formação contínua (tão na berra no domínio profissional) de todos os dirigentes.
Se por um lado, o actual sistema de coisas tem ainda algum sucesso em determinados contextos (sobretudo rurais, não é tabu...), talvez essa visão descontraída das coisas não dure por muito tempo pois também aí se farão sentir os efeitos das alterações sociais que estão a ocorrer. Esta, é também uma vantagem do Projecto RAP, pois não foi pensado para este ou aquele ambiente, mas sim, para se adequar ao nível de exigência em que é aplicado; funciona sempre.
Muito já foi feito... muito há ainda por fazer... Esta revolução será pacífica e natural para quem tomar parte nela... Quem não a acompanhar e a assumir como sua, depois... Não é muito bonito ver um movimento a funcionar a duas ou a três velocidades......
Estava-me a lembrar agora da música...
"Não fiques na praia, com o barco amarrado e medo do mar
Tudo aqui é miragem, mas na outra margem, alguém a esperar"...

RAP I.

Existe uma revolução que está a acontecer. Essa revolução, tem origem há já à alguns anos atrás em múltiplos factores de ordem social e cultural e que tem trazido novas exigências, não maiores - como fez questão de vincar a Diana citando SÓcrates...'as novas gerações estão perdidas' - mas diferentes... verdadeiramente novas.
Na verdade, esta revolução de ideias, princípios, valores, comportamentos... tem trazido grandes dificuldades à educação actual. Os professores cada vez enfrentam mais dificuldades em saber lidar com fenómenos emergentes no meio escolar e mesmo na ligação que por vezes é necessário fazer outras áreas sociais externas ao seu espaço de acção. Impôr, aceitar ou criar regras tornou-se um desafio para quem educa e legisla. o mal, sob variadas formas, tomou a bandeira do prazer doentio, por meio de uma divulgação rápida e eficaz, arrastando para o seu caminho todos aqueles que se sentem ou foram deixados indefesos. As situações com que nós, educadores, temos de lidar, ultrapassam as barreiras do inimaginável, do imprevisto, chegando, mesmo, a ser rídiculas, por vezes, na ininteligência animal com que foram pensadas...
Para fazer face a essa revolução, uma outra se está a levar a cabo. Se o problema da indisciplina na escolas será talvez o grande obstáculo a vencer, os novos comportamentos sociais das crianças, resultado da atipificação das famílias - não só na sua estrutura propriamente dita, mas também, na vivência enquanto tal - tende a ser o grande desafio à educação por parte daqueles que veem em cada pessoa uma imagem física de um interior muito mais profundo e belo, do que a mera intelectualidade humana.
É neste contexto, de uma busca incontronável por respostas que encontrem, se não soluções, pelo menos, caminhos para compreender e trazer de volta a uma via de aprendizagem verdadeiramente estruturante o indíviduo enquanto um todo, nos estágios primazes da sua formação que o escutismo compreende, que surge o Projecto RAP. O RAP (Renovação da Acção Pedagógica) procura actualizar a forma como o escutismo responde a estes novos desafios educativos que se pôem à sociedade dos dias de hoje, alicerçado - numa perspectiva pessoal - em três pilares fundamentais: o definir objectivos educativos claros a atingir na faixa etária que lhe diz respeito; o focar a atenção no indíviduo enquanto pessoa única e contextualizada; e implicar, não só o próprio, mas todos os que com ele se relacionam na responsabilidade da sua educação (auto-educação e co-educação). Existem algumas novidades, mas, de certa forma, o RAP não traz nada de novo às bases da ainda actual metodologia; vem, sim, clarificá-la, dar-lhe uma sustentação mais clara e visível e actualizar a linguagem para uma melhor e mais correcta compreensão e interpretação. É esta a revolução que está em curso. Uma verdadeira revolução na continuidade dos princípios norteados por B.P. para o escutismo como método de educação integral.
[Fui eu mesmo que escrevi isto tudo :) ]

O Sonho é... (2)

Dizia o poeta:
“É pelo sonho que vamos”
Muitas vezes acordamos de manhã ainda com as imagens claras do que sonhámos à noite.
Outras vezes, sonhamos mas não nos lembramos com o quê.
Outras vezes ainda, não temos noção nenhuma de ter sonhado o que quer que seja.
Às vezes sonhamos com lugares que conhecemos,… outras vezes parece que nada faz sentido.
Dizem-nos, que quando sonhamos, não tivemos um sono profundo, e por vezes acordamos sobressaltados com sonhos menos agradáveis.
De qualquer forma, será que são esses sonhos os únicos que temos? Será que são estes os mais importantes?
Quem é que nunca ouviu na expressão “Sonhar acordado”?
Quem é que nunca, andando a caminhar pela rua, sonhou com qualquer coisa que desejava fazer,… ter,… conhecer,… com quem estar?...... Ou mesmo nas aulas?… ou no trabalho?….
Certamente que sim.
Mas, serão, também, estes, os mais importantes?
Seria destes que o poeta falava “É pelo sonho que vamos”?

Existem sonhos, dentro de nós, que sejam tão profundos que justifiquem que façamos qualquer coisa por eles? Que nos dêem motivos para lutar por eles, de entregarmos a nossa vida para os poder realizar? Seria a um destes que Martin Luther King se referia quando disse “Eu tive um sonho” ou foi apenas um sonho de uma noite?

Há muitos anos, um homem sonhou que poderia lutar e vencer por aquilo em que acredita: a sua pátria. Nuno, acreditou que, se entregasse esse sonho em oração a Deus, poderia, torná-lo realidade. Assim aconteceu! É uma evidência das palavras de Fernando Pessoa tornada realidade… “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.
Não basta Deus querer.
Também, nós, temos de querer e saber sonhar!


Este ano, infelizmente, não pude participar no JOTA/JOTI. Não pude participar presencialmente, porque em espírito estava lá, sem dúvida alguma. No ano de 1998 iniciei as minhas participações no JOTA de modo mais activo. Este ano foi a primeira falha desde aí...
Outros valores "mais altos" (literalmente mais altos :P ) se levantaram e lá tive eu de rumar ao Alentejo (e a Espanha por arrasto) num projecto onde também está o radioamadorismo presente.
Foi uma barragem impossível de trepar fisicamente...
O bichinho de querer estar presenta na estação CT7BRG do JOTA/JOTI era tão forte que, volta e meia, dava comigo a pensar como estariam a correr por la as coisas, a cerca de 400 km de distância. Não foi fácil mas o facto de tudo ter corrido bem nesse projecto fez com que a consciência não ficasse tão pesada pela ausência do JOTA/JOTI. Se as coisas tivessem corrido mal ia ser difícil de superar....
Caso continue nesta vida terrena no próximo JOTA/JOTI espero vir a participar na maior actividade (porque não FESTA?! ) do escutismo a nível mundial!

Excelência

Muito se fala hoje em "excelência" mas não me parece que se encara este palavrão com seriedade no nosso dia a dia; creio mesmo que ainda muito há ainda por explorar nessa forma de trilhar caminho. É um pouco como a preservação ambiental, a liberdade, a igualdade, etc.... todos sabemos que é inevitável mas não para o ‘nosso tempo'... certamente, com esta mentalidade, não será para o tempo de ninguém...

Porquê então colocar a pergunta "Porque não a excelência já hoje?"

Tudo isto vem na sequência de uma actividade realizada recentemente e que, por trás, talvez, até, muito ingenuamente num sentido de busca do excelente, esteve sempre a preocupação de fazer o melhor, neste inocente desejo de fazer as coisas bem feitas.

Não imagino uma forma de fazer as coisas que não esta. Talvez porque já a tenha experimentado anteriormente e os frutos colhidos foram de tal forma saborosos, que não faz sentido nenhum andarmos a queimar tempo a trabalhar pelo insípido, pelo desaguado, mas sim, empenhar todas as nossas energias em algo que realmente nos sacie a alma e o coração de um suco refrescante de felicidade.

Certamente, muito ajuda, quando são todos a contribuir para o mesmo, sintonizados na mesma maré, proporcionando momentos de verdadeiro prazer em fazer algo, não só a eles mesmos, mas também aos outros que mais ou menos participantes os rodeiam.

Esta, hoje, acaba por ser, também, uma luta contra apatia em que a vida de muitos se tornou. Quando perguntamos o que é sonhar a alguém, acabamos por encontrar muitas respostas típicas de quem anda à procura daqueles livros esotéricos à espera de uma resposta chapada sobre coisas que têm a ver com o dia de ontem.... As pessoas, cada vez mais, ressonam acordadas... sonhar a passear é coisa de filmes.

Muitas vezes é uma tentação fácil mas a excelência também passa por aí... sairmos de nós mesmos ao encontro de... não ceder ao facilitismo de se deixar ficar pelo que temos, pela metade das coisas, pela referência existente... Como em tudo o deveria ser, este foi um exemplo de como se deve pensar sempre: em realizar o melhor que sabemos em tornar possível os nossos sonhos, em não pensar se podemos fazer 10 ou 25% melhor do que os outros mas, pelo contrário, nem sequer pensar nisso. Apenas em perceber que cada oportunidade que nos é dada é, única, deve ser vivida ao máximo... ela não volta mais.

Só quando se conseguir mudar esta atitude de espectador à espera que as coisas aconteçam e passarmos a uma atitude activa, de querer, de querer realmente, de pensar também que se quer, de fazer por que as coisas aconteçam, poderemos, então, dizer que realmente estamos a abrir estradas para a excelência e, assim, contribuir efectivamente para a tal 'de fraternidade' que tantas vezes trazemos na boca. Não sejamos irmãos por conveniência, por fachada, por interesse... Temos de ser irmãos numa unidade que nos faça crescer, evoluir, caminhar para dar sentido hoje ao sonho de amanhã. O futuro, hoje, é já uma realidade.

O sonho é...

"O sonho é o que as pessoas querem realizar quando têm a sua vida pessoal" [A.C.


"O sonho é aquilo que é sonhar" [F.


"O sonho é uma aventura" [R.


"O sonho é uma coisa que eu imagino que posso ter e posso na realidade ter" [D.


"O Sonho pode tornar-se realidade" [H.


"É algo quase impossível de concretizar... é mesmo um sonho" [A.


"O Sonho é ser guia da alcateia" [S.


"O Sonho é uma recordação que não queremos mais esquecer" [M.


"O sonho abre novos horizontes" [C.



"O Sonho é aquilo que quisermos que seja a vida" [V.

A Fantasia

Foi-me feito o desafio, a mim e a outro companheiro, de fazer uma interpretação sob forma plástica de uma letra de uma música. Coube-nos na sorte - e certamente que essa fulana 'de sorte' sabia muito bem o que andava a fazer - o tema "A Fantasia (tem brilhos como as estrelas)" da Mafalda Veiga.
Uma letra que fala de sonhos, como muitas outras dela...
Como me entendi, um pouco, amarrado, a esta ideia do Vagabundo, que caminha longe dos passos que realmente dá por tantas fantasias que preenchem de cor o cinzento que a vida se torna...
Como me entendi a dar cor a esta vida imaginada e cheia de esperanças e honradas aspirações...

E neste entendimento, mora agora comigo esse sonho mágico de me fazer Rei Vagabundo... e nessa fantasia adormecer...


A Fantasia (Tem Brilhos Como As Estrelas)

Vais pela rua e finges que navegas desancorado até à alma percorres os mares do mundo
Hoje és um rei e finges que te entregas ao vento e à tempestade como se fosses um vagabundo
A aventura sente a maresia e madrugada corre deixa-te levar pelo vento quente que se cola ao teu corpo e te embala sempre até quereres voltar
A fantasia tem brilhos como as estrelas é morna e doce e apetece solta-la a voar no mundo
Hoje és um rei na tua caravela a navegar num sopro de magia
A aventura sente a maresia e madrugada corre deixa-te levar pelo vento quente que se cola ao teu corpo e te embala sempre até quereres voltar

Mafalda Veiga
álbum 'Na Alma e na Pele'

DRAVIM'2006

Há experiências que não se conseguem exprimir por palavras... Não sei como vos explicar mesmo... Deixo-vos as imagens, pois não tenho elhor, mas consciente de que fica muito aquém do que é a Drave e tudo o que nos é dado lá sentir...